28 de abr de 2009

O Viajante


Quando se abrem as estradas,
Quando se ampliam os horizontes,
No espaço entre o nascer e o morrer, viajo.
Sou aquele que vaga, migra, navega;
Sou o que divaga.
Divagar...
É brincar com palavras sérias.
A maior distância no meu pensamento
É um ponto: o da partida.
Chegar e partir.
Reencontrar quando possível.
Quando canso da jornada, paro e penso.
Penso no vazio das prisões humanas
Estão sempre cheias de escravos do tempo.
Não tenho tempo, nem memória!
Tempo é uma medida humana, prende;
A memória escraviza-nos ao passado.
Quero, tão somente, viajar.
Viajar o imenso mundo.
O universo é tão pequeno.
Se chego, já é hora de partir, que pena!
Pena para quem fica.
Não posso criar laços.
As pessoas crêem em sensibilidade e sentimento
E, depois, se perdem.
Sou o viajante;
Amos todos em todo lugar
E não amo ninguém.
Apenas viajo.
Porque viajar é estar
O mais próximo possível
De lugar nenhum.
Porque viajar é estar
O mais próximo possível
De mim mesmo.

Flávio Moreira
26/10/1986
14h24
Desenho: Flávio Moreira - 03/02/1983

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