26 de abr de 2009

Ao Mar (Ode Mínima)

Ao mar o mundo dos vivos, que se dilui em veios exíguos de vidas egressas...
Voltar à época das imemorialidades e recontar os grãos da areia do tempo
Devolvendo ao mar as marcas e as lágrimas.
Que seja doce o reviver a vida, ainda que ela se desfaça em mares de existir.
Ao mar a angústia do que virá, pois não pertence à areia a onda por bater,
Apenas a espuma que borbulhou há pouco.
Não reste dor na memória que não recupere a alegria.
Eternamente vivam os amores na continuidade tátil do afeto.
Ao mar os ódios e os rancores, e todas as raivas e sentimentos amargos,
Para que seu ciclo infinito os transforme e devolva o contentamento da primavera
Esverdeada e florida sob as gotas de chuva.
Sábio o mar, fluxo e refluxo de emoções e almas...
Areias, encostas, rochedos, falésias - superação e conquista, conformação e apaziguamento.
Salgado o mar onde se diluem dores para que se façam doces as gotas de vida.
Afetuoso e intempestivo mar, canção e choro, fúria e riso...
Sublime e harmoniosa composição de vida revivida, encantada de silêncios e sussurros.
Ao mundo dos vivos o mar e suas vidas transformadas,
Ungidas no maravilhamento dos dias a recuperar o curso de seus veios

Flávio Moreira
12/05/95
13:00h

Ilustração: Henri Rivière - Aspects de La Nature

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