19 de out de 2009

Saudade

Porque não há razão em estar vivo
Se não há teus olhos onde perder-me
Se não há teus braços onde encontrar-me
Se não há teus lábios onde fruir-me

A vida, sem ti, é uma ruidosa monotonia
Contigo, silêncios em forma de sinfonia
Sem ti, viver é passar os dias como nuvens sem propósito
Contigo, revoada de pássaros ao fim da tarde:

Um espetáculo de contemplação e contentamento
Um coração aquecido em sentimento
Um ardor leve e rubro no peito ofegante
Um afago de fibras, peles e pelos.

Contigo, instantâneos em preto e branco de Cartier-Bresson
Sem ti, imagens banais, ainda que coloridas.
Contigo, campos de trigo e jardins de lavanda
Sem ti, pasto seco e aridez de pedra.

Sem ti, é estar sempre preso ao solo
Contigo, é alçar vôos de condor.
Sem ti, é a insipidez da água
Contigo, é a miríade de sabores do vinho.

Contigo, inspiração e enlevo
Sem ti, eterna página em branco.

Porque só há razão em estar vivo
Se há teus olhos onde perder-me
Se há teus braços onde encontrar-me
Se há teus lábios onde fruir-me.

5 comentários:

  1. Sentimentalidade
    a toda prova
    a pele toda
    a todo ser
    a ser intensa
    Técnica?
    Ah! não preciso nem comentar.
    beijo

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  2. Obrigado, Ítalo. Volte sempre.
    Abraços

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  3. Com certeza voltarei!
    Estou apenas aprendendo a escrever, e vejo que aqui suas poesias me servirão para muitas lições!!
    Muito obrigado pela visita também!

    Um grande abraço!

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  4. E as palavras me levam ao vento.
    Não mais lamento, escrevo.
    E com enlevo leio seu escrito.
    E é tão " bem-dito ".
    É tão bonito.
    Tão bonito...
    Parabéns!

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