8 de ago de 2009

Orgulho


Se o que amara
À boca túrgida adoçara
Por que fora, agora
Abandonado à espera?

À alma fúria a fera,
Cega de sombra e lágrima, ferira
E à terra fria os despojos lançara.

Das chagas puras vazara
A fluida e morna vida
E a fera cega, altiva, se acalmara

Da massa inerte
Envolta gora em sombra
A fera lentamente se afastara

Destroçada ali ficara
Ela, alma vencida, até a aurora
E a alvorada, que lívida a encontrara,
De luz e calma, terna, a recobrira.

Fria e úmida de orvalho a alma despertara
Das feridas que lhe causara a fera
Já nenhuma marca se notara

Despida, de toda dor agora ignara,
Erguera-se sóbria e para si retornara
A retomar aquilo que na boca espera

Pois o que à boca túrgida adoçara
Agora limpa ainda mais amara.

04/08/2009
16h55

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